Crime ocorreu no final de agosto do ano passado em sítio de Indápolis — Osvaldinho Duarte
O juiz da 1ª. Vara Criminal, Luiz Alberto de Moura, começa a ouvir nesta terça-feira (3) os envolvidos no episódio que culminou com a morte do agricultor Ireno Dias dos Santos, de 70 anos, ocorrido no dia 30 de agosto do ano passado, na propriedade do idoso, no distrito de Indápolis. A Polícia apontou a própria filha da vítima, Irene Márcia Teodoro dos Santos Alencar, e um homem que seria o amante dela, identificado como Adaias Oliveira Silva, ambos presos no dia 3 de setembro, como principais suspeitos.
O crime, tipificado como de latrocínio (roubo seguido de morte), teve como foco, a partir das informações de Irene a Adaias, um cofre existente na propriedade onde o pai dela teria o equivalente a R$ 200 mil, dinheiro obtido da atividade como produtor rural e que foi levado pelos supostos assaltantes. Um terceiro personagem, que seria o responsável pelos disparos que mataram Ireno, não foi encontrado pelo SIG (Serviço de Investigações Gerais).
No caso foram arroladas pelo menos 17 testemunhas, incluindo policiais, parentes, vizinhos da propriedade e até pessoas que nem tinham um relacionamento muito próximo com o produtor rural. A principal suspeita de tramar o crime, a filha Irene, está no centro do episódio, principalmente pelas contradições produzidas a cada depoimento durante as fases preliminares do processo 0006875-38.2021.8.12.0002, em tramite na 1ª Vara Criminal de Dourados.
“O acusado Adaias não teve participação do ato violento que resultou na morte da vítima, simplesmente participou em proteger o neto da vítima de qualquer possível rescaldo durante o crime”, apontam os advogados Max Willian de Sales e Ana Rosa Amaral, que atuam na defesa dele e afirmam que não há provas de autoria e materialidade suficiente para corroborar uma sentença condenatória quanto ao crime imputado ao acusado Adaias, pelo que pugnam pela desqualificação do crime e absolvição.
Observam os advogados de defesa, Max Willian de Sales e Ana Rosa Amaral, que não existem nos autos elementos fáticos-probatórios que evidenciam efetiva participação do acusado Adaias na morte da vítima, ou alguma irregularidade na posse da arma, visto que o armamento encontra-se regularmente registrado e o acusado é atirador desportivo, como permite a lei.
A audiência de instrução está prevista para iniciar as 14 horas desta terça-feira, na 1ª Vara Criminal de Dourados, sob a presidência do Juiz de Direito Luiz Alberto de Moura, oportunidade em que os policiais envolvidos na investigação, as testemunhas e acusados serão ouvidos pela modalidade mista (videoconferência e presencial). A Polícia ainda não tem informações do paradeiro da terceira pessoa.