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Novo pede cassação da chapa de Lula

Partido entra com três representações por abuso do poder político e econômico

30 de outubro 2026 - 16h59 Por Redação Douranews
Novo pede cassação da chapa de Lula Deltan Dallagnol foi eleito senador pelo Novo no Paraná — Reprodução

O partido Novo apresentou três Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação da chapa do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Em publicação nas redes sociais na tarde desta sexta-feira (30), o ex-procurador e senador eleito pelo partido no Paraná, Deltan Dallagnol, afirmou que Lula e Alckmin “podem ser cassados por motivo surpreendente”, ao citar as iniciativas da legenda.

As ações, apresentadas entre agosto e outubro, apontam supostas irregularidades relacionadas ao uso da máquina pública, ao financiamento sindical da campanha petista e ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou Lula no carnaval deste ano. O partido pede que a Justiça Eleitoral reconheça a ocorrência de abuso de poder político ou econômico, o que pode resultar na cassação dos diplomas e na declaração de inelegibilidade dos envolvidos.

A ação mais recente, protocolada no dia 19 de outubro, já durante a campanha eleitoral do segundo turno no Brasil, acusa o governo federal de utilizar medidas de benefício econômico e apelo popular para favorecer a candidatura à reeleição de Lula. Segundo levantamento do Novo, o Palácio do Planalto adotou 35 medidas desse tipo em 2026, sendo 12 durante a campanha eleitoral. Entre elas, o partido cita o reajuste do Bolsa Família, a ampliação dos subsídios aos combustíveis e o programa Desenrola 3.0. A legenda também questiona a abertura de créditos extraordinários para custear parte das iniciativas.

Em outra ação, apresentada no dia 9 de outubro, o Novo pede a investigação de um suposto financiamento da campanha de Lula com recursos do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN). O partido aponta uma circular da entidade em apoio ao petista e declarações de um dirigente sindical sobre o repasse de recursos a comitês eleitorais. A legenda sustenta que a conduta pode configurar abuso de poder econômico.

A terceira ação questiona o uso de recursos públicos no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado em fevereiro deste ano, no Rio de Janeiro, com um enredo dedicado à trajetória de Lula. Segundo o Novo, a agremiação recebeu R$ 9,65 milhões em repasses públicos e proporcionou exposição eleitoral ao presidente por meio da transmissão do desfile em rede nacional. O partido acusa a chapa de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Em agosto, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, admitiu o processamento da ação relacionada ao desfile e determinou a apresentação de defesa pelos investigados. A decisão, no entanto, não representa julgamento de mérito nem reconhecimento de irregularidades. As três ações ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral.