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Programa capacita agentes de saúde indígenas

Acadêmicos de Medicina da UFGD atuam nas aldeias Bororo e Jaguapiru

05 de novembro 2026 - 09h13 Por Assessoria
Programa capacita agentes de saúde indígenas Agente de Saúde Indígena recebe novos conhecimentos — Divulgação

Acadêmicos de Medicina da Universidade Federal da Grande Dourados realizaram, na primeira quinzena de setembro, com apoio do Comitê de Saúde Indígena (CSIN) do Hospital Universitário da UFGD (HU-UFGD), uma capacitação sobre toxoplasmose para os Agentes Indígenas de Saúde (AIS) das equipes Bororó 1 e 2. A atividade foi realizada na Escola Municipal Indígena Araporã, da Aldeia Bororó, em Dourados. O HU é o responsável pela articulação institucional com o Polo Base de Dourados do DSEI-MS, o Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul.

Para a coordenadora do Comitê de Saúde Indígena (CSIN) do HU-UFGD, Luciana Comunian, a capacitação fortalece o trabalho educativo realizado no território e aproxima o conhecimento técnico da realidade da aldeia. “Além de explicar a transmissão e a prevenção da toxoplasmose, é importante trabalhar situações que os Agentes Indígenas de Saúde (AIS) encontram nas visitas às famílias: cuidados com a água e os alimentos, dúvidas das gestantes e a importância do pré-natal”, disse. E acrescentou: “Rodas de conversa e exemplos ligados à realidade da aldeia ajudam os agentes a levar essas orientações adiante, reforçando o valor dessa troca direta com quem atua no território”.

Segundo ela, a proposta desta capacitação prevê materiais educativos adaptados à realidade das comunidades. “Nas capacitações, buscamos contar com profissionais bilíngues em português e guarani. Mesmo quando os AIS falam bem português, poder se expressar na própria língua os deixa mais à vontade para perguntar e participar”.

A ação integra o projeto de extensão “Saúde Indígena e Gestação Segura: Capacitação de Agente Indígena de Saúde (AIS) e Educação em Saúde para Gestantes nas Aldeias Bororó e Jaguapiru”, desenvolvido no âmbito do Programa AFIRMASUS da UFGD.

Durante os dois dias de formação, os acadêmicos abordaram sobre a toxoplasmose, suas formas de transmissão, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e medidas de prevenção, com atenção especial aos riscos da infecção durante a gestação. A atividade também foi repetida no mês passado, desta vez na escola Guateka Marçal de Souza, da Aldeia Jaguapiru.

Conhecimento para prevenir a toxoplasmose

Segundo a enfermeira e residente em Gestão da Saúde Indígena, Arleti Martins, a toxoplasmose é uma infecção causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. A transmissão pode ocorrer principalmente pela ingestão de carne crua ou malpassada contendo o parasita e pelo consumo de água, frutas, verduras ou outros alimentos contaminados.” A infecção também pode ocorrer pelo contato com fezes infectadas, pela transmissão da mãe para o bebê durante a gestação e por transplante de órgãos ou transfusão de sangue”, explicou.

Arleti Martins afirma que a infecção pode ser assintomática ou apresentar-se de forma leve, com febre, cansaço, dores musculares, dor de cabeça e aumento dos gânglios linfáticos, principalmente no pescoço. Em pessoas com imunidade comprometida, a doença se manifesta de forma mais grave, dependendo do órgão acometido, pode ser toxoplasmose cerebral, ocular, pulmonar ou visceral.

Para ela, o risco de transmissão no bebê aumenta conforme a gestação avança, mas as consequências podem ser mais graves quando a infecção ocorre no início da gravidez, período em que ocorre a formação dos órgãos vitais, o protozoário da toxoplasmose tem uma preferência biológica marcante - chamada de tropismo - pela placenta, olhos e cérebro do feto. “Essa afinidade ocorre devido a mecanismos específicos do parasita para invadir, se esconder e se replicar em tecidos imunologicamente privilegiados ou altamente vascularizados”, frisou.