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Plano de Recursos Hídricos traz estudo sobre as águas em MS

09 de janeiro 2011 - 12h37 Por Redação Douranews, com Assessoria
Plano de Recursos Hídricos traz estudo sobre as águas em MS

Entre as importantes medidas na área ambiental tomadas na primeira gestão do governo André Puccinelli está um amplo diagnóstico sobre as águas superficiais e subterrâneas do Estado, fundamentais para o consumo humano e para suprir a demanda por água da agropecuária e setor industrial, disponível no Plano Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul (PERH-MS).

O PERH-MS, entregue no ano passado a 28 entidades governamentais e não governamentais, possui dois volumes impressos e um CD, com 308 páginas ao todo. O plano é o primeiro a sistematizar e unificar dados de diversas organizações e instituições da área e possibilita que a população, políticos e usuários da água conheçam melhor a realidade local. Uma iniciativa necessária quando se tem afirmações como a da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação em que alerta que “o uso da água aumentou mais que o dobro da taxa de crescimento demográfico ao longo do século passado”.

Trata-se de uma análise com visão de futuro abrangente, com enfoque em oportunidades existentes. “No prognóstico, os principais processos e variáveis que condicionam os cenários dos recursos hídricos para 2025 são apresentados de forma sistemática. Nele estão definidas as estratégias de atuação para se consolidar o almejado cenário de desenvolvimento sustentável”, afirma na apresentação do documento o secretário do Estado de Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia, Carlos  Alberto Negreiros Said Menezes.

Ao longo das 114 páginas, o resumo executivo apresenta os resultados do processo de elaboração do Plano, que se constituiu das etapas de diagnóstico, prognóstico e de programas. A divisão do Estado em 15 Unidades de Planejamento e Gerenciamento (UPGs) é a base físico-territorial adotada para o desenvolvimento e apresentada, em mapas, pelo documento.

No prefácio do PERH-MS, André Puccinelli lembra que Mato Grosso do Sul é um dos Estados mais ricos em água, com uma das maiores reservas de água doce superficial e também de expressiva reserva de água subterrânea.

“Este status é um privilégio que eleva a responsabilidade do Estado na proteção dos mananciais, na garantia das funções ecológicas, econômicas e sociais dos recursos hídricos, mediante a aplicação de um modelo sustentável de desenvolvimento de seus usos múltiplos”, afirma Puccinelli.

Águas Superficiais

O Brasil possui 12 Regiões Hidrográficas, sendo que duas configuram-se em Mato Grosso do Sul. A bacia do rio Paraguai, a oeste, e a bacia do rio Paraná, a leste.

A Região Hidrográfica Paraná conta com 169,5 mil Km², aproximadamente 47,46% do território estadual, com destaque para os rios Aporé, Sucuriú, Verde, Pardo, Ivinhema, Amambai e Iguatemi, à margem direita do rio Paraná. Já a Região Hidrográfica Paraguai se estende por 187,6 mil km², o que representa 52,54% de MS. Os rios mais importantes são o Taquari, Miranda, Negro e Apa, à margem esquerda do rio Paraguai.

Nessa região está inserido o Pantanal, uma das maiores planícies alagáveis do mundo, que abriga importante concentração de vida silvestre. Nesse bioma, os principais rios inundam a planície, formando extensos lagos e uma grande quantidade de cursos d’água, além de áreas com uma complexa drenagem sazonal realizada por córregos, vazantes, corixos e baías. O processo deve-se a fatores de declividade e descarga dos principais rios, com partes superiores no planalto e inferior, na planície.

Águas subterrâneas

O Estado possui oito unidades aqüíferas: Os sistemas Aquífero Cenozóico; Bauru; Serra Geral; Guarani; Aquidauana-Ponta Grossa; Furnas; Pré-cambriano Calcários; Pré-cambriano. Destaque para o Aquífero Guarani, que apesar da pequena área de afloramento (veja infográfico) é a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e um dos maiores sistemas aquïferos do mundo. Esse aquífero ocupa uma área total de 1,2 milhões de km² e se estende pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. É no território brasileiro que está sua maior ocorrência (840 mil Km²), cerca de dois terços da área total, passando por Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Água: bem de uso comum

A constituição de 1988 estabelece princípios e diretrizes que orientam tratamento jurídico do meio ambiente e sua proteção, por considerar um bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida. O documento não possui menção especifica às águas. No entanto, em 2000, uma lei estadual incluiu um capítulo específico sobre os recursos hídricos que delega mecanismos jurídico-legais para o gerenciamento desse recurso natural. Em 2002, essa lei sofreu alteração para criar o Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos. O SEGRH tem por busca a partir de uma política estadual promover a gestão do uso, controle e proteção das águas.

Consumo exagerado

De acordo com o Plano de Recursos Hídricos, a população de Mato Grosso do Sul consome cerca de 87 milhões de metros cúbicos de água por ano. Desse volume, 81% provém da Região Hidrográfica do Paraná, e apenas 19% da Região Hidrográfica do Paraguai.

A demanda média per capita de água para o abastecimento urbano no Estado é de 219,9 litros diários por habitante com perdas, e de 131,9 litros, sem perdas. O consumo humano é o segundo maior uso de recurso hídrico de Mato Grosso do Sul, perdendo apenas para a atividade da pecuária, com a dessedentação (local onde se acumula água para mitigar a sede) de animais.

Mesmo se considerado o consumo sem perdas no Estado, ainda está acima dos 50 litros recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como quantidade de água potável ideal para o bem-estar e a higiene diária de uma pessoa. Segundo a OMS, o brasileiro consome em média 187 litros por dia. Já o canadense, no topo do índice de desperdício, utiliza em média mais de 600 litros de água potável. No outro extremo, cerca de 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem sem acesso à água própria para beber.

Pecuária

O consumo da atividade agropecuária, segundo o estudo, depende de fatores como temperatura, categoria de animal, estágio de crescimento, alimentação, dentre outros. De acordo com dados da Emprapa e do Operador Nacional do Sistema Elétrico, os bovinos de leite consomem 62 litros de água diários por cabeça, enquanto o bovino de corte, 55 litros por dia. Os suínos demandam 27 litros por cabeça diariamente, e caprinos, 10 litros. Já as aves consomem 0,32 litros de água diários.