Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiram na manhã desta segunda (21) a fazenda onde ficava a sede da usina Ariadnópolis Açúcar e Álcool, desativada desde 1993, na cidade de Campo do Meio (315 km de Belo Horizonte), no sul de Minas.
Segundo o MST, 600 sem-terra e ex-funcionários da empresa participam da ação. A Polícia Militar monitora e estima o número entre 100 e 150 e disse que a ação segue pacífica.
O MST pede a desapropriação das terras que somam cerca de 4.000 hectares, segundo o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) da Capia (Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo) e do parque industrial da Ariadnópolis, ambas do empresário Geovane Moreira de Souza.
O diretor do MST em Minas, Silvio Netto, disse que a Ariadnópolis está falida e que a posse de sua área é ilegal. Dos 363 hectares, 300 foram adjudicados concedidos pela Justiça à União devido a débitos fiscais.
Netto criticou o Incra e disse que há três anos não há assentamentos em Minas. Desde 1997, a fazenda em Campo do Meio é palco de sucessivas invasões do MST e ordens de reintegração de posse.
De acordo com o Incra, além de dívidas com o poder público, os proprietários da fazenda respondem a ações trabalhistas, por dívidas com ex-funcionários.
Em nota, a superintendente do Incra no Estado, Luci Rodrigues Espeschit, disse que a fazenda pode abrigar 300 famílias, mas ainda não pode ser desapropriada pois a área está ocupada e há ações no STJ (Superior Tribunal de Justiça) questionando a falência das empresas.
Segundo Espeschit, o instituto investiu em 2010 cerca de R$ 90 milhões em ações para reforma agrária em Minas e assentou 590 famílias.
O advogado do dono das empresas, Edward Ferreira Souza, disse que a maior parte das dívidas da Ariadnópolis prescreveu e que os débitos da Capia com funcionários são menores que R$ 4 milhões, o que é "tranquilamente pagável". A concessão de parte do terreno à União também está sendo questionada na Justiça Federal.
Souza disse que a fazenda é produtiva, com plantações de girassol, soja e tomate, e que as empresas aguardam o julgamento de suas ações para retomar as atividades na fazenda em Campo do Meio.