Antes do início do julgamento, em frente ao Fórum Federal Criminal Ministro Jarbas Nobre, membros da tribo do cacique guarani-kaiowá, Marcos Veron, cantaram em um ritual religioso.
Segundo a filha do cacique, a professora indígena, Vadelice Veron, a cantoria foi uma oração para dar proteção e sabedoria aos procuradores responsáveis pela acusação. “O que a gente espera é a Justiça”.
O julgamento dos três acusados de matar começou na noite de ontem, dia 21. A previsão era que as atividades se iniciassem no período da manhã, mas os familiares perderam o voo e não conseguiram embarcar para São Paulo, do aeroporto de Dourados.
Após o sorteio e escolhas da defesa e acusação, foi definido um júri composto de seis homens e uma mulher. O julgamento continua durante esta terça-feira (22) e a expectativa é que a sentença do crime ocorrido em 2003 não seja conhecida antes de sexta-feira (26).
Além do assassinato de Veron, os acusados: Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabral respondem por tortura, sequestro, formação de quadrilha e seis tentativas de homicídio.
Defesa
A defesa pretende desconstruir a ligação do assassinato com a situação dos índios. Logo no início da sessão, os advogados entraram com um recurso pedindo que o julgamento voltasse para a Justiça do estado, por se tratar de um crime comum. Segundo a defesa, Marcos Veron não era índio.
“É um cidadão paraguaio, há documentação expressa nesse sentido”, alegou um dos advogados, Alexandre de Sá Domingues.
O pedido da defesa foi negado pela juíza. De acordo com a magistrada, esse ponto já foi discutido e definido. O julgamento do crime ocorrido em Juti (MS) foi transferido para São Paulo atendendo a um pedido do MPF. De acordo com o órgão, o dono da fazenda onde ocorreu o crime tem grande poder econômico e poderia influenciar jurados e testemunhas. Além disso, o Ministério Público afirmou que existe em Mato Grosso do Sul um preconceito contra os indígenas.
Segundo o MPF, a morte de Veron foi conseqüência de uma série de ataques feitos por seguranças da Fazenda Brasília do Sul para expulsar os índios que ocuparam a área. A propriedade é uma das muitas terras indígenas sob reivindicação dos guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul.