"Não foi definido quais possibilidades de anomalias que o brinquedo poderia acusar", disse o delegado. De acordo com ele, o brinquedo não funciona quando há algum tipo problema no equipamento, como falha nas travas.
Conforme os depoimentos, a falha ocorreu por volta das 14h30, e um funcionário foi acionado para vistoriar o brinquedo --que passou por manutenção e foi liberado em seguida. Três horas depois, a trava de segurança falhou, o equipamento se abriu e provocou a queda das vítimas, com o brinquedo ainda em movimento.
No Double Shock, as pessoas giram 360º a uma altura de 12 metros. O brinquedo faz parte do grupo de atrações radicais do parque.
O funcionário do parque responsável pela vistoria no brinquedo e testemunhas do acidente devem ser ouvidas pela polícia nesta terça-feira.
Segundo o delegado, o brinquedo tem três travas de segurança --uma delas é manual.
"Esse travamento é acionado eletronicamente pelo brinquedo e desce por cima para prender a pessoa. Depois disso tem uma trava manual, que é feito pelos operadores do equipamento, eles fazem o giro de uma chave e uma lingueta sai pelas laterais dessa trava. Ainda que o brinquedo automaticamente liberasse a trava, ainda tem essa segunda trava de segurança que só é liberada manualmente. E ainda tem uma terceira trava, de redundância, colocada pelo próprio Playcenter", explicou Batista.
Ainda de acordo com o delegado, se uma das duas travas a automática ou a manual apresentar qualquer tipo de falha, o brinquedo não habilita o operador a iniciar o ciclo do brinquedo.
Três das oito pessoas feridas permanecem internadas. Uma das vítimas, Daniele Aparecida Pansarin, 30, foi inicialmente atendida na Santa Casa e transferida nesta segunda para o Hospital Metropolitano. Com ferimentos na perna e na cabeça, ela está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), com quadro considerado estável.
Os outros dois feridos estão na mesma unidade desde o fim da tarde de domingo. O hospital afirma que não divulga informações sobre eles a pedido das famílias. No entanto, segundo o Playcenter, todas têm quadro clínico estável.
A administração do Playcenter afirmou que o brinquedo, de fabricação italiana, "encontra-se dentro das normas nacionais e internacionais de operação, conta com manutenção diária e foi totalmente reformado em maio de 2010".
Em nota divulgada nesta segunda, o parque afirma que os todos os brinquedos passam por manutenção preventiva, que laudos semestrais são elaborados por empresa terceirizada e que, diariamente, os equipamentos são checados, antes da liberação para funcionamento.
A assessoria informou que o Playcenter só será reaberto na sexta-feira (8). De acordo com a assessoria, antes do acidente já estava programado o fechamento do parque entre hoje e sexta-feira para manutenção e limpeza.
O Ministério Público, por meio da Promotoria do Consumidor, instaurou inquérito para investigar o caso.
PROCON
O Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) informou que notificou o Playcenter sobre o acidente.
O órgão pediu esclarecimentos sobre a causa do acidente, as providências adotadas para atender as vítimas, laudos sobre a manutenção dos brinquedos, dentre outros.
"A empresa, neste primeiro momento, deve arcar com todas as despesas médicas e hospitalares necessárias para recuperação das vítimas", afirmou Renan Ferraciolli, diretor de fiscalização do Procon-SP, por meio de nota.
Após análise das respostas do parque, o Procon poderá ou não abrir um processo administrativo que pode resultar em multa. A penalidade varia de acordo com a gravidade da infração e o porte econômico da empresa e vai de R$ 405 a R$ 6.087.800.
Em setembro do ano passado um acidente com a montanha-russa Looping Star, também no Playcenter, deixou 16 crianças feridas.
A administração do parque afirmou na época que o choque ocorreu porque um dos vagões não conseguiu parar durante a frenagem e bateu no carro da frente, que terminava de acomodar crianças e adolescentes.
Na época, o Procon também notificou o parque. O processo ainda está em andamento e corre em sigilo.