O Ministério Público Estadual (MPE) investiga denúncias de irregularidades no Presídio Militar de Mato Grosso do Sul. O inquérito instaurado há uma semana revela que os detentos cumprem pena confortavelmente e até com certas regalias
O Presídio Militar Estadual funciona no complexo penitenciário do Estado e 25 policiais militares que cometeram crimes estão no local, sendo que 16 deles estão ou deveriam estar em regime fechado.
O promotor responsável pelo caso, Fernando Sgaib, voltou ao presídio nesta terça (26) junto com o Sub-Comandante da Companhia de Guarda e Escolta para vistoriar o interior da unidade.
A terceira visita durou quase uma hora e na saída, o promotor confirmou as irregularidades. “Situações que não se assemelham a um cumprimento de pena como nós entendemos que deveria ser”.
Irregularidades
As fotos tiradas pelo próprio promotor durante a vistoria revelam as regalias dos presos: celas com televisão de tamanho acima do permitido (14 polegadas), facas proibidas dentro de qualquer unidade prisional e até equipamentos de vídeo game e informática. Numa outra fotografia, é possível ver na parede marcas de carvão, deixadas por uma churrasqueira que foi demolida após as denúncias.
O MPE aponta ainda, outra irregularidade: detentos que deveriam cumprir pena no presídio estão na sede da companhia de escolta da Polícia Militar que funciona dentro do complexo penitenciário, mas a sede é apenas administrativa e não possui celas, o que foge do regimento penal.
Diante a tantas denúncias, o promotor vai cobrar explicações do Secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Wantuir Jacini. “As autoridades envolvidas com a segurança pública, o Secretário, ele também como o Secretário de Justiça, que é a pasta responsável pela execução penal a nível estadual”.
A assessoria de imprensa da polícia militar informou que na quinta-feira haverá uma reunião entre o Comandante Geral da Corporação e o Juiz da Auditoria Militar e que somente depois disso, poderá comentar o caso.
Denúncia
Há oito dias, o Ministério Público Estadual instaurou inquérito para investigar as denúncias de que os detentos cumprem a pena com certas regalias. Nos depoimentos que constam no processo, um delegado relata que um soldado preso na unidade confessou a ele que tem acesso as dependências da unidade e até já usou telefone dentro do presídio.