A reportagem apurou também que na linha de fabricação nacional, as marcas Free, Carlton e Derby de variadas opções (azul, vermelho, menta entre outros que alegam ser de baixo teor de alcatrão entre outros supostos menos malefícios) são os mais procurados, principalmente entre os jovens fumantes, em especial as mulheres.
Vale ressaltar que as vendas de cigarros de origem paraguaia não só em Dourados, mais em diversas cidades do Brasil são vendidos a luz do dia, sem nenhuma intervenção policial, o que faz com que as indústrias brasileiras tenham anualmente um grande prejuízo, já que o imposto do cigarro é um dos mais caros do país.
Depoimentos
Já quanto aos importados de países vizinhos, em especial os oriundos do território paraguaio, por estar à fronteira a cerca de 120 quilômetros de Ponta Porã, cidade que faz fronteira seca com Pedro Juan Caballero, as marcas mais adquiridas em bancas de camelôs, bancas em pontos de esquinas, bares e lanchonetes tanto na área central como na periferia, são os Fox e Palermo que dominam o mercado em Dourados, principalmente para os fumantes do sexo masculino.
Para o comerciante J.V, do Jardim Flórida, proprietário de um bar naquela região da cidade, enquanto ele em média vende ao dia 50 maços para os homens, o desempenho para as mulheres não chega a 10 maços. “As mulheres geralmente procuram por produtos nacionais e o mais preferido delas é o Free e o Carlton”, resumiu ele.
Já T.Y, também proprietário de um bar na área da cidade, a procura por cigarros importados em sua propriedade é muito grande, todavia ele deixa claro que só vende os produtos nacionais, em especial da indústria que domina o mercado no país, que é a Souza Cruz. “Não gosto de vender cigarros do Paraguai, embora saiba que o lucro deles é bem maior que os de fabricações nacionais, mais durante os meus dias de trabalho pude perceber que é a maioria dos homens que procuram por cigarros do Paraguai. O Fox e o tal do Palermo são as marcas mais procuradas por eles. As mulheres, ao contrário, já pedem mais os de fabricação nacional, como os da linha do Free, Carlton e o Derby azul e prata, entre outras marcas. Os da linha mentolada não sei por que razão, talvez seja devido ao suposto paladar de hortelã que o produto traz, de uns tempos para cá tiveram um aumento significativo na procura para a compra por parte das mulheres, enquanto pelo lado dos homens ela é muito pouca”, disse o comerciante.
Outro comerciante que trabalha com cigarros do país vizinho é G.V.O, que possui um bar na região do Santo André. Para ele a venda é ótima em relação aos produtos nacionais. “Enquanto vendo uma média de 50 maços de cigarros do Paraguai por semana, os de fabricação nacional não passam de dez”, garantiu ele também afirmando que a procura pelos tabacos do país vizinho é bem maior por parte dos homens. “É muito difícil uma mulher vim no meu boteco é pedir um Fox por exemplo. Acredito que as mulheres têm um pouco mais de vergonha em pedir maços de cigarros do Paraguai, o que não é o caso dos homens. Uma coisa é certa. Compro os cigarros das indústrias brasileiras a cada 15 dias enquanto os que vêm do Paraguai semanalmente tnho que repor os estoques. Os preços do cigarro nacional são muito caros, daí os fumantes que freqüentam o meu boteco preferirem os Fox e Palermo e os “paraguaios”são tão bem aceito, que tenho inclusive policiais que compram eles no meu bar”, disse o comerciante.
Preço
Além destes três comerciantes acima citados, a reportagem ouviu outros e todos, sem exceção informaram que realmente em seus estabelecimentos a procura por cigarros “importados”(ou contrabandeados) do Paraguai é muito grande. Isso acaba gerando uma receita maior para eles.
Um deles exemplificou que enquanto um pacote contendo dez maços de cigarros de fabricação nacional não dá dois reais de lucro líquidos, os importados dependendo da marca, chegam a quase 40 por cento de lucro. “Compro o Fox por 70 a 80 centavos e revendo por R$ 1,25. É lucro certo por que a procura por esta marca é muito grande. Para se ter uma idéia, o valor de um maço de Derby nacional dá para comprar no mínimo dois Fox e ainda sobra troco para o cara tomar uma pinguinha”, disseram tanto G.V.O. como os demais comerciantes consultados, creditando ao preço baixo dos produtos paraguaios o fator estimulante para que eles esqueçam os de fabricação nacional.
Apreensões
Talvez em razão desta grande procura por cigarros de fabricações estrangeiras as unidades policiais, em especial a estadual DOF (Departamento de Operações de Fronteiras) e as federais PRF (Polícia Rodoviária Federal) e PF (Polícia Federal) vem constantemente batendo recordes de apreensões de carregamentos dos produtos oriundos do país vizinho, o Paraguai.
A última grande apreensão aconteceu no último dia 13 na região conhecida por “trevo do Copo Sujo” que liga Ponta Porã a Maracaju, quando oito carretas carregadas de caixas contendo cigarros procedentes do território paraguaio foram apreendidas pelos policiais federais da delegacia de Dourados.
As carretas para transporte de óleo, leite e outro produtos líquidos, estava atreladas a cavalos mecânicos e sendo usadas no contrabando de cigarro.
Na apreensão durante uma fiscalização de rotina, por volta das 9 horas na rodovia MS- 164, os federais flagraram em um fundo falso de caminhão baú, diversas caixas de cigarros contrabandeados, além de alguns eletrônicos.
A PF de Dourados apreendeu nos últimos dias na região da Grande Dourados 19 caminhões e 625 mil pacotes de cigarros.
Os oito caminhões e o carro usado para o trabalho de ‘batedor’ foram levados para a delegacia de Dourados onde, com a ajuda do Corpo de Bombeiros, foram abertos os fundos falsos e localizados 200 mil pacotes de cigarro. Essa carga renderia aos contrabandistas R$ 6 milhões. No total foram apreendidos 6 caminhões-tanque, sendo 4 de transporte de combustível e 2 próprios para o transporte de leite in natura; 2 caminhões baú e 1 (um) veículo VW Gol, placas HQC-7348. Foram presos: A.P., 38 anos, de Perobal/PR (motorista); D.F., 23 anos, de Eldorado/MS (batedor); M.M., 29 anos, de Umuarama/PR (motorista); E.B.R., 35 anos, de Eldorado/MS (motorista); A.R.T., 24 anos, de Eldorado/MS (batedor); P.N., 45 anos, de Douradina/PR (motorista); W.B.R.G., 36 anos, de Umuarama/PR (motorista); M.P.M., 34 anos, de Patrocínio/PR (motorista); M.C.M., 25 anos, de Campo Grande/MS (motorista); e R.C.C.B., 43 anos, de Umuarama/PR (motorista).