Peritos criminais da Coordenadoria-Geral de Perícias (CGP), da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) contam com mais um instrumento moderno para análise de substâncias químicas e tóxicas. Com o aparelho conhecido como Espectofotômetro de Infravermelho é possível saber em pouco tempo se o material analisado é um entorpecente, um componente tóxico ou até mesmo um explosivo.
O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini visitou hoje de manhã (18) o laboratório da Divisão Química e Toxicologia do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (Ialf) onde está instalado o novo equipamento. Conforme o secretário, o equipamento vai incrementar o trabalho dos peritos com a melhora da investigação técnica e qualificada do crime organizado e desorganizado. “Ele vai permitir o atendimento de 80% dos exames e laudos encaminhados ao Ialf”, informou. Avaliado em R$ 165 mil, o aparelho é resultado de um convênio entre o Governo do Estado e a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça.
Segundo Wantuir Jacini, a aquisição do aparelho faz parte da modernização da Coordenadoria-Geral de Perícias (CGP). A iniciativa também incrementa os trabalhos de segurança dos organismos policiais no Estado fronteiriço. “Por estar numa região de fronteira, o tráfico de drogas é um dos principais crimes de ocorrência no nosso Estado. É preciso que cada vez mais tenhamos equipamentos de última geração que possam melhorar o desempenho dos peritos para ter uma prova material eficiente dentro do processo criminal”, salientou.
Como parte dos investimentos no aparelhamento do Estado, Wantuir Jacini informou ainda que os municípios de Dourados, Ponta Porá e Corumbá serão contemplados. “Para estes municípios teremos a aquisição de equipamentos e material de consumo na ordem de R$ 2,6 milhões em convênio com a Senasp. Estamos incrementando a qualificação de equipamentos e de efetivos na área de fronteira”, finalizou o secretário.
Agilidade
Como explica o perito criminal, Evandro Rodrigo Pedão, ao analisar um material, o Espectofotômetro emite uma luz vermelha que reflete na substância química e que posteriormente também acaba emitindo uma luz de retorno. “Esta luz transmitida é captada e lida por um software e automaticamente comparado a uma biblioteca de dados. Quando comparados, o sistema nos mostra qual é o tipo de material”, explica.
Essa biblioteca de dados sobre as substâncias integra os centros forenses da Geórgia e Califórnia, nos Estados Unidos e ainda de Toronto, no Canadá. De acordo com o perito criminal, na tela do computador são mostrados gráficos com a amostra do material e os padrões de comparação do material que pode revelar se é um entorpecente, um explosivo ou componente tóxico. “O equipamento chegou no dia 31 de outubro e já no dia 04 de novembro começamos a fazer as análises. Já analisamos medicamentos e até explosivos encontrados num caixa eletrônico”, comentou Evandro Pedão.
Segundo o perito criminal, a análise no aparelho é feita em apenas três minutos. Esta é considerada a quinta etapa de um processo que dura cerca de 30 minutos. “As etapas dos exames são de descrição, pesagem, separação, embalagem e retirada da contraprova, teste com infravermelho [identificação] e por último a elaboração do laudo”, enumera.
Modernização
No laboratório pelo menos oito pessoas fizeram um curso de capacitação e estão habilitadas para manusear o novo equipamento. Quando o material que será analisado está muito misturado com outras substâncias, o Espectofotômetro não consegue fazer uma identificação minuciosa. Conforme o perito criminal e coordenador-geral de Perícias de Mato Grosso do Sul, Alberto Dias Terra é preciso realizar o exame em outro aparelho chamado de Cromatógrafo.
O aparelho que consegue fazer a separação e identificar as substâncias deve ser adquirido pela Sejusp. “Estamos viabilizando este equipamento com a Senasp por meio de convênio. Por enquanto estamos realizando uma parceria com a Polícia Federal com os exames sendo realizados lá. As nossas instalações já estão preparadas para receber este novo equipamento que também será instalado neste ambiente”, afirmou.
Como informou Alberto Dias Terra, o laboratório da Ialf foi totalmente reformado para receber os novos equipamentos, como o Espectofotômetro. “Precisou refazer todas as instalações elétricas porque é um equipamento sofisticado que não pode ser instalado em qualquer ambiente. Na parte física, colocamos bancadas num local que precisava ter uma temperatura adequada para trabalhar, sem a possibilidade de ter umidade”, concluiu.
Para conter a umidade foram instalados dois aparelhos no laboratório. O ambiente também contará com mais dois equipamentos que permitirão a realização de exames de alcoolemia e detecção de envenenamento.