Tetila é presidente da Comissão de Direitos Humanos, Trabalho e Cidadania da Assembleia Legislativa do estado, e acionou a Comissão da Câmara Federal e a Frente Parlamentar Indígena após os últimos casos de violência registrados em Mato Grosso do Sul, que culminaram com o desaparecimento e possível morte do cacique guarani Nísio Gomes, em Aral Moreira.
Representando a Câmara dos Deputados estarão em Dourados os deputados Domingos Dutra (PT-MA), Erika Kokay (PT-DF), Padre Ton (PT-RO), Luiz Couto (PT-PB) e Antônio Carlos Biffi (PT-MS).
Segundo Tetila, a imagem de Mato Grosso do Sul não está boa pelo Brasil e pelo mundo afora. O estado, conforme ele, tem a segunda maior população indígena do país e, ainda assim, não consegue garantir a segurança desses povos tradicionais.
Em documento, a Comissão justifica sua presença em Mato Grosso do Sul, citando o caso de Nísio Gomes; o ataque com coquetel molotov a um ônibus escolar em Miranda que resultou na morte de uma jovem-mãe de quatro filhos e um outro ataque de na comunidade Guarani/Kaiowá do Tekoha Pyelito Kue em Iguatemi, onde, no mesmo mês, foi morto o indígena Teodoro Ricardi e tentaram, também, assassinar o jovem indígena Isabelino Gonçalves, que conseguiu escapar dos tiros.
A Comissão também usa dados do Conselho Indigenista Missionário - Cimi – que mostram que, nos últimos oito anos, 250 índios foram assassinados em Mato Grosso do Sul. O estado acabou sendo palco de 55,3% dos 452 homicídios de indígenas do Brasil.
“Foi positiva a retomada, pela Funai, dos estudos de reconhecimento dos territórios indígenas em Mato Grosso do Sul. Várias lideranças e comunidades estão incluídas no programa de proteção aos defensores de direitos humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e a Polícia Federal tem procurado ser mais presente no estado. Mas essa atuação do Governo Federal tem se mostrado insuficiente para inibir a ação violenta dos latifundiários e suas milícias armadas, que têm sido beneficiadas pela impunidade”, relata documento assinado pela presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputada federal Manuela d’Ávila.
A diligência foi decidida pela plenária da Comissão ao aprovar, por unanimidade, requerimento da deputada Érika Kokay. “Vamos acompanhar a Comissão, porque a defesa do índio tem sido nosso trabalho ao longo dos anos. Em 2011, por duas vezes, estive em Brasília, no Ministério da Justiça, para cobrar soluções para o fim da violência e investigações mais aprofundadas; agora, vejo que o trabalho começa a surtir resultado. Esperamos que esse seja somente o primeiro passo de uma série de vitórias e desafios que virão para melhorar a vida das famílias indígenas. O nosso querido estado não pode mais ficar de braços cruzados vendo tudo isso acontecer”, explicou Tetila.