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Lideranças indígenas acusam Judiciário de omissão e mortes

02 de dezembro 2012 - 13h32 Por Redação Douranews
Lideranças indígenas acusam Judiciário de omissão e mortes

Em um documento entregue ontem (1) aos representantes do governo federal, do MPF (Ministério Público Federal) e a parlamentares sul-mato-grossenses, os cerca de 300 índios guaranis kaiowá e nhandeva que participaram do Aty Guasu, realizado em Douradina, denunciaram episódios de violência e exigiram a rápida demarcação de terras. "Não aceitaremos mais promessas vazias e conclamamos toda a sociedade brasileira e internacional a continuar exigindo do governo brasileiro a demarcação de todas as nossas terras", diz trecho do documento.

Tradicional assembleia guarani, a Aty Guasu reúne lideranças de todas as comunidades da etnia existentes em Mato Grosso do Sul, além de idosos, crianças, homens e mulheres que se reúnem para discutir os problemas e as principais reivindicações de cada terra, aldeia ou acampamento guarani sul-mato-grossense. Este ano, a assembleia ocorreu entre quarta-feira (28) e ontem (1), no interior da aldeia Lagoa Rica-Panambi, e contou com a presença de representantes de vários órgãos da estrutura federal, como a presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Marta Azevedo.

No documento aprovado ao fim da assembleia, os índios fazem uma série de reivindicações e voltam a criticar o governo federal pela "morosidade em demarcar as terras indígenas" já identificadas. Os guarani exigem que os governos federal e estadual consultem a Aty Guasu sobre qualquer iniciativa ou procedimento que afetem os interesses indígenas e pedem que medidas mais eficazes sejam tomadas para garantir a vida das lideranças, sobretudo daquelas de comunidades em áreas de conflito.

A Aty Guasu também pede mais atenção e recursos à saúde indígena, alegando que os guarani são vítimas de um processo de "etnocídio" e estão "condenados a um sistema de saúde sucateado", onde faltam profissionais dispostos ou aptos a atender as áreas indígenas. Os índios também criticam o Poder Judiciário, que, no documento, é classificado como “o maior executor de penas que causam a morte de nosso povo".

"Processos de demarcação há anos se arrastam nos porões do Judiciário; ordens de despejo são dadas a todo o momento e indiscriminadamente [...] quando é obrigação do governo brasileiro garantir escola, saúde, alimentação e documentação para nosso povo, onde quer que ele esteja", criticam os líderes indígenas presentes à Aty Guasu, afirmando que o Estado só age para garantir os direitos indígenas quando pressionado pela repercussão midiática e social de certos temas.

"Repudiamos todas as violências, ameaças às lideranças e mentiras levantadas contra nossos parentes e reafirmamos para toda a sociedade que estamos unidos com o mesmo objetivo. Não permitiremos que outros povos sejam massacrados como o nosso. Por isso exigimos a demarcação das terras do povo Terena, Kinikinau e Ofaié, além da imediata devolução das terras do povo Kadiwéu", propõe o documento. Com informações da Agência Brasil