Após quatro meses de investigação jornalística, foi constatado que o lider indigena Nísio Gomes, supostamente morto durante um confronto com fazendeiros e jagunços na região de Aral Moreira no Mato Grosso do Sul no mês de novembro de 2011, estaria escondido a uma distância de 90 quilômetros nas imediações da cidade paraguaia de Capitan Bado, no Departamento (estado) de Amambay, na divisa com Coronel Sapucaia e a 45 quilômetros de onde ocorreu o suposto homicídio e o dasaparecimento do corpo, onde a comunidade reivindica o direito a 24.700 hectares de terra.
A notícia, repercutida nesta segunda-feira (24) pelo jornal Midiaflex, foi divulgada sábado (22) pelos jornais Capitanbado e Pedrojuannews, ambos do Paraguai, com reportagens e entrevistas de lideranças das aldeias da fronteira, confirmando a passagem de Nísio Gomes pelo local.
Os lideres indigenas Felix Gomes e Nito Gauto, da comunidade Mbae Maragatu, confirmaram que o lider supostamente morto chegou na localidade no mês de junho deste ano, vindo de outras comunidades e teria manifestado que estava com problemas no Brasil e precisava estar por um tempo na região.

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O cacique Felix Gomes contou aos jornais que foi ele quem recebeu Nísio. “Ele dormiu aqui na minha casa por três dias e uma noite, quando tomou bebida alcóolica ele me confessou o nome verdadeiro dele, até então sabiamos que ele se chamava Antonio. Disse tambem que a sua comunidade não poderia voltar, pois era dado como morto e que assim desaparecido ele podia ajudar muito mais a sua gente”, manifestou Felix Gomes.
O professor indigena Nito Gauto disse que o cacique da aldeia brasileira não estava machucado e não tinha sinais de ferimento, mas estava bastante magro. “A mulher dele uma vez venho visitar ele aqui na comunidade e trouxe algumas coisas pra ele, ela é aposentada no Brasil”, informou o professor da comunidade indígena da região.
Pela suposta morte do lider indigena Nísio Gomes, 19 pessoas foram indiciadas pela Policia Federal no Brasil, incluindo vários fazendeiros da região fronteiriça e o empresário Aurelino Arce, proprietário da empresa Gaspem de segurança privada em Dourados, apontado, juntamente com funcionários, como executor da morte de Nizio Gomes na madrugada em que teria acontecido o suposto crime.
Segundo o cacique Felix Gomes, Nísio não sabe se pode confiar na polícia; além do mais, o sumiço dele tem feito que o mundo olhe para a população indigena esquecida nesta parte de fronteira e isso é mais importante do que ele aparecer, revelou. “Um dos motivos pelos quais Nísio prefere estar escondido é que ao ser achado poderia acabar morto, já que durante uma viagem a Brasília teria conversado sobre sua situação com representantes da Fenai que teriam lhe dado o conselho de que morto poderia ajudar na demarcação de terras na região”, acrescenta a reportagem dos jornais paraguaios.