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Arcebispo brasileiro diz que Bento XVI não quis atrapalhar a Igreja

13 de fevereiro 2013 - 16h37 Por Redação Douranews
Arcebispo brasileiro diz que Bento XVI não quis atrapalhar a Igreja

Na Europa, ficaram apenas os monumentos históricos e, hoje, a base da Igreja se desloca para a América Latina, África e Ásia. A declaração é do cardeal brasileiro d. João Braz de Aviz, considerado pela imprensa italiana como um dos nomes fortes para a sucessão de Bento XVI.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o brasileiro com o cargo mais alto na estrutura de poder do Vaticano deixou claro que uma mudança está ocorrendo em termos geográficos na Igreja. Mas alerta que isso não significa que essa seja necessariamente a hora de ver o primeiro papa de um país em desenvolvimento. "As coisas não ocorrem de supetão na Igreja", admite o atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano.

D. João, de 65 anos, arcebispo emérito de Brasília e ligado a uma Teologia da Libertação sem excessos, também reconheceu a existência de "tensão" entre diferentes personalidades dentro do Vaticano e admite que nem sempre a gestão da Igreja é "tão serena".

Presente no encontro em que o papa Bento XVI comunicou a decisão de renunciar ao posto, o arcebispo brasileiro disse que foi uma reunião regular e os outros temas foram tratados normalmente. “De repente, ele começou a falar e eu, sinceramente, achei que não tinha entendido o que ele havia dito. Logo percebi que, sim, era verdade e que ele estava renunciando. Foi uma grande surpresa. Ninguém nunca imaginava que isso ocorreria. Como é um fato raríssimo, sentimos o peso da coisa, também pela figura que ele representa”, revelou.

“Nos últimos anos, ele ganhou a simpatia até mesmo da intelectualidade europeia. Com seu gesto, mostrou uma grande fidelidade à Igreja e deixou claro que não quer atrapalhar. Ele ainda certamente considerou que João Paulo II já havia vivido a exposição pública da deterioração de sua saúde e que não queria passar pela mesma coisa”, opinou D. João .