A direção da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) esteve representada, na manhã desta terça-feira (3), no ato de inauguração da Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, a primeiro espaço desse no país, construído pelo Governo Federal com o intuito de combater a violência praticada contra as mulheres e ampliar seus direitos de ter uma vida mais digna.
O lançamento contou com a presença da presidente Dilma Rousseff (PT), ministras e várias lideranças políticas nacionais e locais, incluindo Maria da Penha, militante feminista, responsável pela criação da lei de combate à violência contra a mulher. A Fetems foi representada pelo presidente, Roberto Magno Botareli Cesar, a vice-presidente Sueli Veiga Melo, a secretária de saúde dos trabalhadores, Maria Ildonei de Lima Pedra e a secretária de base da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Idalina Silva.
Os presidentes da CUT/MS, Genilson Duarte e da Cassems, Ricardo Ayache, além de representantes dos Movimentos Sociais, também acompanharam a solenidade.
"Tenho certeza que aqui vamos mostrar ao resto do Brasil que essa Casa das Mulheres será um exemplo pelo qual o Mato Grosso do Sul não será mais reconhecido como um lugar de violência e campeão de estupro e homicídios", afirmou a presidente Dilma, em discurso, cobrando que seja viabilizado "o ataque conjunto de todos os órgãos responsáveis, de forma unificada, para garantir que o estado brasileiro tenha tolerância zero à violência da mulher".
De acordo com o presidente da Fetems, Roberto Botareli, a entidade não poderia deixar de estar presente em um momento como este, já que entre suas bandeiras de luta o combate à violência contra mulher e as políticas de igualdade de gênero, possuem grande destaque. “Esperamos e ficaremos atentos para que este espaço cumpra o papel de rede interligada dos poderes judiciários e públicos, no intuito de realmente facilitar o acesso dessas mulheres aos serviços especializados de atendimento. Queremos que aqui haja garantias reais de condições para o enfrentamento da violência vivenciada e para o tão sonhado empoderamento da mulher e sua autonomia econômica”, afirma.
Já a vice-presidente da Federação, Sueli Veiga Melo, ressalta um pouco da expectativa dos movimentos em relação à Casa. "Que esta Casa não seja apenas um local de apoio, mas que seja um exemplo para uma mudança de paradigmas, uma mudança de valores culturais e afirmação da autonomia da mulher. Espero que seja um local que permita ao mesmo tempo proteção e esperança. Tem um lema que nós usamos nos movimentos e deve ser enfatizado neste momento: sem as mulheres os direitos não são humanos”, conclui.
Campo Grande é a capital brasileira com a maior taxa de registros na Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180, segundo o balanço anual de 2014. Já o Estado apresentou a segunda maior taxa de registro entre as unidades federativas do país, no ano passado, perdendo apenas para o Distrito Federal.
Um estupro ocorre a cada sete horas no MS, de acordo com os dados do fórum de segurança, ressaltando que estes são apenas os casos registrados na polícia. O Estado é o segundo com mais casos de estupros no país.
Entre 2012 e 2014, o número de homicídios consumados, que tiveram mulheres como vítimas, aumentou de três para dezenove casos por ano. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), MS é o décimo quinto estado com a maior taxa de femicídios por 100 mil habitantes: 6,44, muito maior que a nacional, que é de 5,82.