Uma das ‘lendas’ do horário de verão no Brasil é que, nos primeiros dias da vigência do sistema de adiantamento dos relógios em uma hora [prática que vigorou também em Mato Grosso do Sul desde o dia 19 de outubro do ano passado], costuma-se registrar, nas empresas, a sequencia de funcionários perdendo a hora de chegada ao serviço.
“Aqui isso nunca aconteceu, temos orgulho disso”, retruca o gerente do supermercado São Francisco, Joilson Martins, à pergunta do Douranews se a parir de agora, com o fim do sistema, e os relógios sendo atrasados, novamente, em uma hora [a medida vale a partir da zero hora deste sábado], a situação voltaria ao normal. “Continuamos sempre no normal”, diz, afirmando que a única alteração foi a redução do consumo de energia na nova, e ampliada, área de estacionamento construída no espaço do mercado.
Apenas as luzes do estacionamento permanecem mais tempo apagadas no período
“Isso de muita gente perder as horas até se acostumar com o horário não chegou a acontecer por aqui, tenho orgulho de dizer”, afirmou Joilson, acrescentando que, também por conta dessa particularidade, não ocorreram problemas com a entrega de mercadorias e encomendas de compras feitas pela vasta clientela do estabelecimento.
O horário de verão, enfim, para o São Francisco, foi a repetição do objetivo nacional, como mais uma das maneiras de economizar milhões em gastos com energia. No ano de 2014 foram mais de R$ 400 milhões de reais economizados pelas famílias e mais de R$ 4 bilhões em investimentos das empresas de energia e do governo. Por mínimo que seja a diferença na fatura, é preciso levar em conta que com mais gente economizando, a resultante é um corte enorme de gastos.
Até o gerador de energia sentiu essa diferença. Joilson disse ao Douranews que, como demora um pouco mais para escurecer, a diferença é que o gerador próprio da empresa demorava um pouco mais para ser acionado. Foi essa a redução nos gastos com eletricidade, resumiu, ao justificar o acendimento das luzes da área do estacionamento um pouco mais tarde.
História
A ideia de aumentar os ponteiros para economizar surgiu antes mesmo da luz elétrica. Benjamim Franklin, em 1784, deu a ideia, porém os governos apenas publicaram uma nota dizendo sobre uma possível economia de cera de velas, se a medida fosse adotada. O primeiro país a adotar a prática foi a Alemanha, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, como medida para economizar carvão.
No Brasil, 10 estados adotaram a prática: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, e também o Distrito Federal.