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Sábado, 04 Agosto 2018 08:42

Programa do HU é destaque em evento estadual de enfrentamento à violência feminina Destaque

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Médico Guido Vieira Gomes, idealizador do programa, fala sobre objetivos e metas do Acalento Médico Guido Vieira Gomes, idealizador do programa, fala sobre objetivos e metas do Acalento Assessoria/HU

O Programa Multiprofissional de Assistência a Vítimas de Crimes Sexuais do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados teve espaço de destaque durante o Seminário Estadual “Enfrentamento à violência contra as mulheres”, encerrado nesta sexta-feira (3) em Campo Grande. Junto a outras ações que tem como objetivo combater a violência contra a mulher, o programa, batizado de Acalento, foi apontado como boa prática e resposta do Estado a esse tipo de situação.

O idealizador e coordenador da iniciativa, Guido Vieira Gomes, representou o HU no evento, e falou sobre o processo de elaboração e instituição do programa, seu funcionamento e, principalmente, a importância de ações como essa para mulheres e crianças vítimas de violência.

A iniciativa começou a ser idealizada em 2015 e foi instituída em maio deste ano, com formato diferente de todas as ações já implementadas em Mato Grosso do Sul. Seu funcionamento se dá por meio de parcerias com o Governo do Estado, na atuação da Secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública, através da Polícia Civil, do Núcleo de Medicina Legal de Dourados e da Subsecretaria de Políticas Públicas para as Mulheres.

Como funciona

O HU da UFGD já era referência para o atendimento a mulheres e crianças vítimas de violência sexual, em Dourados. O diferencial instituído pelo programa, no entanto, é a otimização da assistência de forma global, pois todo o ciclo de atenção é feito em um único local: no próprio hospital, sem a necessidade de deslocamentos por parte da vítima.

Desta forma, a vítima é acolhida por profissionais médicos e enfermeiros que acionam a assistência de outros integrantes do grupo multiprofissional, como assistentes sociais, psicólogos e outros médicos especialistas que, porventura, necessitem avaliar o quadro. As vítimas são, inclusive, atendidas em uma sala especificamente preparada para a finalidade, a “sala lilás”, onde é feita a profilaxia para doenças sexualmente transmissíveis e a anticoncepção.

Paralelo a esse atendimento, se a vítima (a mulher) ou familiares (da criança) estiverem de acordo, a Polícia Civil é ativada para enviar uma equipe ao hospital, de forma a registrar o Boletim de Ocorrência e requerer as perícias, que são realizadas também no próprio HU, já que, por meio do Acalento, ele passou a ser um posto médico-legal. Este detalhe é fundamental, pois muitas vítimas não comparecem à delegacia devido à gravidade de suas lesões e, consequentemente, deixam de denunciar o crime e passar pela coleta de vestígios.

Humanização no atendimento

Guido explica que o atendimento completo no hospital tem grandes vantagens, tanto para o paciente quanto para a equipe multiprofissional envolvida no cuidado, pois reflete sobre a vítima uma sensação de acolhimento e aumenta as chances de resolução do caso, com a punição do autor.

“Essa formatação permite a interação entre os membros do programa, sendo que a coleta do histórico da violência sexual será realizada por um deles. Desta forma, as informações são repassadas a todo o grupo, evitando que a vítima reviva o trauma ao ter que relatar diversas vezes, a vários profissionais, os fatos ocorridos”, esclarece o coordenador, que é médico legista, chefe do Núcleo de Medicina Legal de Dourados e profissional do Hospital Universitário em Dourados.

Outra característica do programa, além da humanização, é a agilidade que propicia na coleta de provas, essencial para a confirmação do crime e a determinação da autoria. “Os vestígios físicos não são permanentes, são lábeis, portanto sua coleta deve ser feita de forma ágil”, afirma o médico. Até o momento, desde que foi instituído, o Programa Acalento já proporcionou atendimento diferenciado a 14 mulheres e crianças vítimas de crimes sexuais.

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