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Encontros e negócios no WhatsApp e Facebook ainda fazem vítimas em MS

29 novembro 2016 - 20h13

A tecnologia avança diariamente e com ela as redes sociais chegaram prontas para facilitar a comunicação, negócios financeiros e até reencontros familiares. Mas como tudo na vida, tem o lado bom e o ruim, é válido lembrar que criminosos agem na mesma intensidade e utilizam essas ferramentas em busca de vítimas, alerta o delegado da DEH (Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios), Márcio Shiro Obara. Só em 2014, dois crimes premeditados cometidos com requintes de crueldade tiraram a vida do empresário Erlon Peterson Pereira Bernal, que havia anunciado um carro na internet, e do professor Francisco Borges dos Santos, que foi assassinato durante um encontro.

Obara explica, que a ação dos bandidos de forma virtual se trata de uma espécie de golpe. É fácil notar, que em todos os casos os criminosos mexem com a 'ganância' das pessoas. Para qualquer tipo de negociação, seja ela financeira ou empregatícia, ou encontros, o delegado reitera que devem ocorrer em locais públicos e sempre com aviso prévio de um familiar ou amigo.

"Na maioria dos casos os bandidos agem nos anúncios de carros, notebook, celular, que estão fora do preço de mercado ou em situação vantajosa. Indicar o local para onde vai é primordial. Nos casos de encontros deve se avisar alguém da família. Nos negócios, levar alguém do ramo junto é essencial", explica ao Midiamax.

O delegado pondera, que mesmo após crimes divulgados na imprensa causarem comoção, a população continua caindo em golpes virtuais, pelo simples fato de acharem que nunca se tornarão vítimas. Por outro lado, ressalta a perda os valores de família e a banalização do cometimento de crimes.

"As pessoas ainda acham que nunca acontecerá com elas. Se tornam vítimas, muitas vezes pela falta de cuidado. Depois temos o lado da criminalidade, o cometimento de crimes está se tornando evento banal. Os valores de família, amizade, companheirismo, cumprimento de palavras e muitos outros, se perderam, infelizmente", finalizou o delegado.

Só neste mês, duas pessoas sumiram em um período de cinco dias, após se interessarem por anúncios na internet. 

O primeiro caso, ocorreu no último dia 23, quando uma diarista de 39 anos sumiu depois de procurar emprego por um grupo de WhatsApp e desesperar a filha, de 20 anos, que registrou um boletim de ocorrência na 4º delegacia de polícia civil de Campo Grande. O caso estava sendo investigado pela DEH (Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios) e felizmente terminou bem. A mulher retornou para casa seis dias depois e família se limitou em dizer apenas que ela estava bem.

O segundo caso envolve o idoso Hélio Taira, de 73 anos, que desapareceu na manhã do último sábado (26), em Campo Grande, que saiu de casa para negociar um carro e não retornou. O jardineiro foi visto pela última vez por um amigo. Ele estava na Avenida das Bandeiras, próximo do Terminal Bandeirantes e disse que estava indo trocar sua caminhonete, modelo D10 com placa HQX 1188. 

Segundo familiares, o jardineiro disse que a ideia de trocar o veículo surgiu depois de ver um anúncio na internet, porém, parentes e o amigo não souberam informar mais detalhes sobre a negociação. De acordo com as informações, Hélio mora com um amigo no Bairro Planalto e trabalhava com serviços de limpeza de terrenos e jardinagem.

O boletim de ocorrência sobre o desaparecimento foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento) Centro. Informações sobre o idoso devem ser informadas na delegacia ou por meio do telefone: (67) 99141-4399.

CASO ERLON

No dia 1 de abril de 2014, o empresário Erlon Peterson Pereira Bernal foi assassinado friamente vítima de um latrocínio em Campo Grande. Antes de sua morte ele anunciou a venda de um carro Golf, e os assassinos mataram o empresário para ficar com o carro. O corpo de Erlon foi encontrado dias depois em uma fossa, e o crime chocou a todos pela banalidade. Porém, todos os acusados foram encontrados e presos. 

A delegada Maria de Lourdes, na época titular da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos) confirmou no dia 6 de abril, cinco dias após o desaparecimento de Erlon, que ele havia sido vítima de roubo seguido de morte.

Thiago Henrique Ribeiro, Jeferson dos Santos Souza, Rafael Diogo, conhecido como “Tartaruga”, os três de 21 anos, e Luis Fernando Flores Valenzuela, de 27 anos foram presos e uma adolescente de 17 anos, também envolvida no caso, foi encaminhada à Unei.

Thiago foi o responsável por atrair a vítima até uma casa, no bairro São Jorge da Lagoa e executá-lo com um tiro na nuca. No momento, estavam também na casa Rafael, Jeferson e a adolescente, também envolvidos no assassinato.

Já Luis Fernando foi o responsável por fornecer a placa de veículo original à quadrilha que matou o empresário. Ele Luis trabalhava na empresa Íons, que era credenciada pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e entregou cerca de 200 placas de forma fraudulenta nos últimos cinco anos. A empresa teve as atividades suspensas.

CASO PROFESSOR 'CHICO'

O professor Francisco Borges dos Santos, o Chico, 39 anos, morreu estrangulado, no dia de 9 de novembro de 2014, com um golpe “mata leão” no mesmo dia que desapareceu por dois rapazes identificados apenas como Marcelo e Cleiton. O corpo do educador foi desovado com as mãos amarradas com uma fita plástica e vestido apenas com um short claro, as margens da rodovia a 10 quilômetros da rotatória da BR-163, na saída para Cuiabá, em Campo Grande.

Segundo a Polícia Civil, os acusados que são primos e moravam nos bairros Coronel Antonino e Vila Rica, região norte de Campo Grande. Investigações apontaram que Marcelo e o professor se conheceram em uma sala de bate-papo na internet. Os dois marcaram um encontro no qual Marcelo não compareceu. 

Tempos depois, foi o próprio Marcelo quem procurou o professor e convidou para novo encontro no domingo, 9 de novembro. A vítima aceitou sem saber que a essa altura Marcelo já tinha contactado Cleiton para juntos roubarem o professor. Os três seguiram juntos para um motel próximo à universidade onde o plano foi executado. A polícia seguiu várias pistas para chegar até os bandidos, sendo que a principal, teria sido encontrada no telefone celular que a vítima deixou no apartamento onde morava, no condomínio Vale do Sol, no Bairro Monte Castelo.

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