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Opinião

Decisão de Temer cria padrão em tempos de delações

14 fevereiro 2017 - 10h56Por Cristiana Lôbo

A decisão do presidente Michel Temer de estabelecer um critério para manutenção de ministros nos cargos - denunciado será afastado temporariamente e réu, afastado definitivamente - cria um padrão de comportamento para estes tempos de delações e homologações da Lava Jato mas, ao final, acaba ajudando os atuais ministros do governo.

É que o prazo médio para um processo em tramitação no STF chegar à fase denúncia demora, em média, um ano e meio.

Temer avisou que apenas citados não serão afastados. Ou seja, ele não quer ser amolado com questionamentos sobre a manutenção deste ou daquele ministro que venha a ser citado em delações da Lava Jato. No caso, os citados são os mais próximos e com gabinete no Palácio do Planalto, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

Com este padrão anunciado por Temer, vai aumentar a pressão sobre o recém-chegado à relatoria da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin.

Cabe a ele acolher ou não os pedidos de denúncias já feitos pela Procuradoria-Geral da República contra políticos que podem ou não se tornar réus. Até aqui, seis senadores estão denunciados: Renan Calheiros, Fernando Collor de Mello, Fernando Bezerra Coelho, Ciro Nogueira, Benedito de Lyra e Valdir Raupp.

Segundo levantamento no STF, são 112 investigados, sendo 29 deputados federais e 13 senadores. Apenas a senadora Gleisi Hoffman é ré e os deputados Aníbal Gomes e Nelson Meurer.

Os deputados denunciados são: Arthur de Lyra, Eduardo da Fonte, José Otávio Germano, Luiz Fernando Ramos de Faria, Mário Negromonte Junior, Roberto Pereira Britto e Vander Loubert.

Cristiana Lôbo acompanha a política brasileira desde 1982. Atualmente, comenta os bastidores de Brasilia. as decisões do governo federal e as negociações com o Congresso. É palestrante de assuntos políticos e mercado financeiro.