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ADRIANA BERTOLETI

Medida ousada impõe ajustes ao 'novo normal'

21 junho 2022 - 15h41Por Adriana Bertoleti

Aproveitando-se dos bons números produzidos durante os anos iniciais, e projeções futuras, em função do controle da inflação, a aposta de conglomerados econômicos, sobretudo no ramo supermercadista do tipo atacarejo, revela-se ousada e acertada, considerando o mercado em ascensão proporcionado pelos espaços ocupados pela nova classe C nesse período.

Entretanto, essa mesma classe C, duramente atingida com o advento do ‘novo normal’, período que se inaugurou em meio à pandemia da Covid-19, e que atingiu, indistintamente, todos os demais segmentos da economia, confronta agora esses indicadores à crescente pobreza mundial.

É preciso compreender que, embora relativamente mais confortáveis em relação aos primeiros meses do ano que passou, e sobretudo, ao primeiro semestre deste 2022, ainda não podemos dizer que a pandemia passou. E, muito menos, que a situação econômica já se estabilizou. Afinal, o custo de todos os impactos até aqui absorvidos ainda não é perceptível.

A classe C, que já demonstrou poder de recomposição ‘tal fênix’, mais uma vez é convocada a emprestar seu desempenho reagente, uma vez que, pendularmente, é ela quem proporciona segurança às ascendentes ‘B’ e ‘A’ e que, paradoxalmente, contribui para não deixar a‘D’ naufragar.

Em recente artigo para a revista ‘Exame’, o consultor econômico André Torretta¹ escreveu, sobre o que classificou como ‘nova classe média brasileira’, composta por algo em torno de 170 milhões de cidadãos: “O Brasil das classes C, D e E ainda não está formatado. Já o Brasil da classe A, da nossa ilha de Manhatan, é todo formatadinho”. A ‘ilha de Manhatan’ ele definiu como o centro expandido de São Paulo.

Segundo Torretta, a pandemia desalojou a nova classe C para o nordeste no caso brasileiro. “É a classe D que virou classe C”, diz. E embora considere que no Brasil a maior concentração de classe C ainda permanece no Sul, ela vive hoje estagnada. A própria ‘grife dos chocolates’ da Kopenhagen indica isso, presente em diferentes estados brasileiros, e, com maior penetração, em shoppings nas grandes capitais, de onde a resistente ‘classe C’ não quer sair.

Fernando Henrique Cardoso² já enxergava esse poderio dos ‘Cs’ no início dos anos 90, quando foi um dos nomes mais credibilizados pelos sucessos do Plano Real em controlar a hiperinflação. Foi o Plano Real que mais possibilitou o distanciamento da ‘classe C’ das demais camadas, sobretudo para uma sociedade com níveis de desigualdade social tão elevados como o Brasil, como publicou o portal UOL ao analisar a forte guinada econômica do século passado.

Ao considerar a avaliação do Data Popularᵌ, ferramenta que estima que cerca de um terço dos brasileiros concentram mais de 80% dos cartões de crédito que circulam no País, responsáveis, consequentemente, por 76% do consumo no Brasil, e hoje predominando também como detentores do primado das relações sociais, pelo uso constante da internet, conclui-se que quem aposta na força da Classe C está no rumo certo.

¹ fundador da consultoria A Ponte Estratégia

² presidente do Brasil de 1995 a 2002

ᵌ instituto que mede o comportamento social

* É professora e diretora-administradora do Douranews